O melhor de ti não partilhaste comigo
Há coisas que não se perdem de uma vez — vão-se desfazendo
aos poucos, como o tempo que deixamos escapar entre os dedos sem dar conta. E
talvez tenha sido isso que mais custou: não foi a ausência repentina, mas a
presença incompleta.
Estiveste, mas não por inteiro. Falavas, mas nem sempre
ouvias. Estávamos juntos, mas o tempo — esse — parecia sempre curto, dividido,
guardado para outros lugares, outras prioridades, outros momentos que nunca fui
eu.
O melhor de ti não foi aquilo que disseste, nem os gestos
apressados ou as promessas soltas. O melhor de ti era o tempo que podias ter
dado… e não deste. Porque o tempo é o que realmente revela importância. É nele
que se constrói, que se cuida, que se mostra.
E no silêncio que ficou, percebi: não era falta de amor,
talvez — era falta de escolha. Porque quem quer, encontra tempo. Quem sente,
fica. Quem valoriza, partilha o melhor de si — sem reservas.
Hoje já não espero por esse tempo. Aprendi que mereço alguém
que não me dê apenas pedaços, mas presença inteira. Porque o amor, quando é
verdadeiro, não se mede em palavras — mede-se no tempo que se oferece sem
hesitação.
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